Lição

Daqui a pouco tem o jogo, e daqui a muito pouco eu saio de casa pra ir ao Couto Pereira, trabalhar em Coritiba x Palmeiras pela 98FM ao lado do Marcelo Ortiz, do Eduardo Luiz e do Mario Neto – a “equipe de peso” do rádio brasileiro. Além de ser uma partida aguardada por muitos, é o primeiro jogo depois de uma série de lições que o futebol nos ensinou na rodada da quarta-feira.

A maior delas, e em qual vou me aprofundar aqui, é a definição de “facilidade” de uma partida de futebol. Na quarta, tínhamos o Internacional com vantagem jogando em casa, o Cruzeiro com vantagem maior ainda e também jogando em casa e o Fluminense encaminhado, mesmo fora do Rio. E o Grêmio sofrendo no Chile. Isto só na Libertadores. Ainda tínhamos o Atlético com a força da torcida contra o Vasco e o São Paulo superfavorito contra o Avaí.

Para muitos de nós, analistas, o Fluminense poderia sofrer, mas se garantiria. Atlético e Vasco fariam um jogo equilibrado, apesar da superioridade atleticana por estar em casa. O Grêmio estava irremediavelmente fora. Mas São Paulo, Cruzeiro e Internacional eram barbadas – “jogos jogados”, como se diz no Rio Grande do Sul.

Todo mundo sabe o que aconteceu. Universidad Católica x Grêmio e Atlético x Vasco corresponderam às expectativas. O São Paulo penou pra fazer 1xo, e saiu vaiado pela torcida e corre risco em Florianópolis. O Inter ficou pelo caminho, o Fluminense pagou mico e o Cruzeiro foi uma tragédia, complementada pelo ato impensado do Cuca – gosto muito do Cuca, mas ele queimou legal o filme.

Por mais que os analistas e os torcedores pensem que as partidas podem ser fáceis, elas não se decidem antes de a bola rolar. Há variáveis em um jogo de futebol que podem ser previamente comentadas, e é possível até palpitar um resultado, mas de forma alguma se pode cravar uma vitória ou uma derrota. Nem eu, aqui da trincheira, nem o técnico, muito menos o jogador. O torcedor até pode, pois dele se espera o apoio irrestrito.

Falo tudo isso porque há uma grande expectativa na imprensa local para uma vitória consagradora do Coritiba sobre o Palmeiras, ao mesmo tempo em que se coloca um favoritismo pleno para o Palmeiras contra o Coritiba na imprensa do eixo Rio-São Paulo. Nem uma coisa, nem outra. A partida é extremamente equilibrada, reúne um time de ataque forte com outro de defesa forte.

E decidirão o jogo a qualidade dos atletas, o trabalho dos treinadores e principalmente o conhecimento que um time tem do outro. Pelo que li, o Coritiba está bem informado sobre o Palmeiras, e a recíproca não é verdadeira. Se o Coxa jogar com a bola no chão, em velocidade e explorando a dificuldade técnica da zaga palestrina, pode sim levar vantagem. Acho o Cori melhor, só que o Palmeiras não é um time fraco. Por isso, não é um jogo jogado. Ainda mais agora, faltando poucas horas pra bola rolar.

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Sobre futebolmutante

Jornalista. Em busca de um espaço pra falar de futebol (novo e velho), música (velha), TV e outros temas relevantes. É pra ser um espaço de leveza, apesar do tamanho do blogueiro. A sério, o papo é na 98FM.
Esse post foi publicado em Coritiba, Rola, bola! e marcado . Guardar link permanente.

3 respostas para Lição

  1. Michel disse:

    Ótimo texto. As eliminações de 4 clubes do Brasil na libertadores, principalmente de Inter e Cruzeiro, pode-se tirar de tudo isso uma grande lição, e vendo como o Marcelo Oliveira trabalha, ele deve ter citado isso para o jogadores, reforçado que o jogo é ganho em campo, com humildade e respeito.
    O time do Coritiba é melhor que o Palmeiras, e isso não é clubismo de minha parte, estou sendo realista. Mas ser melhor não é o bastante, tem que ter raça, porque do outro lado há um grande time, que é um dos favoritos ao título da Copa do Brasil.
    Será um grande jogo, e espero que o Coritiba confirme ainda mais do que é capaz!

    • Andre Mansur disse:

      Não acho que nosso time seja melhor que o Palmeiras. É diferente. Talvez seja melhor se tivermos falando de toque de bole no meio-campo e ataque, ainda mais com o Palmeiras desfalcado do Valdivia, mas será que somos melhores que eles defensivamente? Será que nosso estilo de jogo é melhor que o deles pro mata-mata? Felipão é craque nisso, especialista.
      Se Deus quiser seremos melhores, mas só vamos ter certeza de alguma coisa hoje, a partir das 19:30!

  2. THIAGO RAFAEL disse:

    O duelo mais difícil desde o Corinthians Paranaense. Nada mais.

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