Interrupção

Rio de Janeiro – Não pensei que seria assim. Quando comecei a fazer um blog, imaginava que seria algo mais ou menos restrito, para alguns amigos e outros leitores que se interessassem por uma conversa sobre futebol e otras cositas más.

Tive uma resposta superpositiva. Além do bom número de acessos, tive a alegria de conviver com alguns comentaristas de alto nível – que, concordando ou não com o que eu escrevia, agregava mais qualidade ao espaço.

Pois bem. Há alguns dias, estava preparando este texto. O último desta fase do blog. Entre hoje e amanhã, vou preparar a mudança pra “casa nova”.

Tive a honra de ser chamado pelo Serginho Tavares, chefe do G1/GloboEsporte.com Paraná, pra assumir um blog na aba do GE.com – fazendo parceria com os blogs dos torcedores e com o Tusquinha (ah, vai ter mais gente boa chegando).

Espero começar festejando a dupla classificação do futebol paranaense na semifinal da Copa do Brasil. Obrigado a todos nesta primeira fase, e convido a acompanhar, a partir de amanhã, sexta-feira, no novo endereço – http://globoesporte.globo.com/platb/futebol-mutante -, dentro do GloboEsporte.com. Valeu!!!!!

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Classificado 1

São Paulo – Valeu a pena. Alguns torcedores podem até ter saído meio chateados do Pacaembu, por conta do final da série invicta. Mas o mais importante era a classificação do Coritiba pra semifinal da Copa do Brasil. E ela veio, mesmo com o 2×0 do Palmeiras – merecido, por sinal.

O Cori entra pela quarta vez no seleto grupo de semifinalistas, e chega com mérito. Fez uma campanha muito boa, que não perde o brilho com a derrota aqui em SP. É o time que melhor jogou na competição, e entra como favorito na partida contra o Ceará.

Mas precisa respeitar, estudar e se preparar muito pro confronto. Não será fácil, o Vozão tem um time equilibrado e que vai atazanar a vida alviverde. Será um duelo interessante, e que pode levar o Coxa a uma inédita final.

***

Daqui a pouco o embarque é pro Rio, pra ver o Atlético enfrentar o Vasco. Tenho confiança na classificação, acho que é dia do Paulo Baier. E, olha, vai que hoje o Guerrón estraçalha. O Furacão só precisa reduzir o índice de erros no passe e na marcação defensiva.

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Gargalo

Caso real: durante a semana, a RPCTV e a Rádio 98FM tentaram reservar hotéis para suas equipes que vão a São Paulo, pra fazer o jogo Palmeiras x Coritiba, nesta quarta, no Pacaembu. Não somente o pessoal do grupo que trabalha na gestão logística das viagens, mas também os profissionais que irão a SP. Foram dias de tensão.

Tudo porque estão acontecendo seis eventos de porte em São Paulo. Entre eles, a Feira Internacional de Negócios em Supermercados e a Feira de Tecnologia em Educação. O resultado disso foi a superlotação dos hotéis. Em uma pesquisa que eu fiz, apenas dois (isso mesmo, dois) dos 145 listados pelos sites das agências de viagens tinham vagas em SP. Nas principais cidades da Região Metropolitana, a mesma coisa.

Conseguimos hotel pra ficar, e na manhã desta quarta tocamos viagem para lá. Mas percebemos na pele um dos gargalos principais para a Copa do Mundo de 2014 – a falta de infra-estrutura hoteleira. E o turismo já precisava estar preparado para o crescimento na demanda. É natural que outros eventos, correlatos ou não, comecem a ser realizados em um país que receberá duas competições esportivas (Copa e Olimpíada) em um espaço tão curto de tempo.

Faltam pouco mais de três anos pra Copa. Pouco, ou quase nada, foi feito até agora. Muito terá que ser feito, e certamente dinheiro público será gasto. E isto não é nada bom.

Não que eu seja contrário à Copa. Acho sinceramente que o evento será espetacular, fará com que tenhamos melhorias urbanas importantíssimas. Mas o uso indiscriminado do dinheiro público é péssimo.

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Rápidas

* Oliveira, se eu não me engano, é um bom jogador que o Paraná contratou. Foi muito bem no Malutrom-Corinthians-Malucelli, e reaparece agora vindo do futebol paulista. É um primeiro sinal positivo neste período que antecede a Série B.

* Ainda o Paraná. Henrique e Diego se atrasaram. Se há razão ou explicação, tudo bem. Se não há, que eles sejam cobrados. Da mesma forma, Ricardo Pinto tem que explicar por que não escala Henrique como titular. Parece uma birra desnecessária.

* No Atlético, ainda não surgiu o novo diretor de futebol. Que ele seja anunciado logo, pois é importante um elemento de ligação entre presidência e jogadores. E para que o processo de contratações seja acelerado. E para, principalmente, o elenco e a comissão técnica terem sossego para o jogo de quinta contra o Vasco.

* Paulo Baier queria receber o prêmio de melhor do Paranaense. Não pôde ir, e reclamou. De quem partiu a decisão de impedir os atleticanos de irem na festa?

* Demerson vai para o jogo contra o Palmeiras no Pacaembu. Voltou do Botafogo-SP com moral, e todos dizem que será bastante utilizado durante o Brasileiro. Acho que ele vai ser muito útil ao Coritiba no restante da temporada.

* Marcelo Oliveira não faz mistérios, vai com William e Everton Ribeiro no meio. O Coritiba tem que seguir jogando o seu futebol e respeitando o Palmeiras. Foi assim que veio a vitória expressiva da semana passada.

* A rádio 98FM vai ao Rio e à São Paulo. E recebi a responsabilidade de ir aos jogos do meio de semana fora de Curitiba. Eu e Edilson de Souza estaremos no Pacaembu e em São Januário – Eduardo Luiz vai conosco a SP, Roberson Januzzi estará no RJ. Simbora!

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Beleza

Na festa da Gazeta do Povo, última segunda-feira, conversei muito com o Ayrton Baptista, o nosso Tusquinha, do Boleiros e Barangas. Ele falou pra eu não esquecer da música, afinal o “mutante” do título deste blog em construção é também pra lembrar que há outras coisas no mundo que não são o futebol. Na mesma noite, vendo uns vídeos da internet, topei com “Desde que o Samba é Samba”, na versão dueto de Gilberto Gil e Caetano Veloso: “A tristeza é senhora / desde que o samba é samba é assim / a lágrima clara sobre a pele escura / à noite a chuva que cai lá fora”.

Aí pensei. Poderia pedir a ajuda dos amigos pra citar alguns dos versos mais bonitos da música popular brasileira – assim mesmo, em minúsculas, pra ampliar o leque e fugir de um possível hermetismo. Pelo twitter, usando a hashtag #versosbonitos. Eu citei os primeiros:

– “O meu amor sozinho / é assim como um jardim sem flor”. Tinha que começar com Vinícius de Moraes. É “Primavera”, composta com Carlos Lyra. Da vertente mais lírica da dupla, que também teve uma safra de canções de protesto. “Primavera” é mais delicada que “Minha Namorada”, mas ambas são belíssimas.

– “Eu sei quanta tristeza eu tive / mas mesmo assim se vive / morrendo aos poucos por amor”. Um dos trechos mais fortes de “Fera Ferida”, talvez a composição mais bem-acabada da consistente obra de Roberto e Erasmo Carlos. Um tema de separação que não esconde a mágoa do Robertão pelo fim do relacionamento com a ex-esposa Nice (apesar de estar no álbum de 1982, deve ter sido composta antes).

– “Vou te contar / os olhos já não podem ver / coisas que só um coração pode entender”. Bem, Tom Jobim não poderia ser mais brilhante como foi em “Wave”. Incrível como o Tom, que já era bom letrista na Bossa Nova, ainda foi mais espetacular ao fim do movimento.

Aí os amigos começaram:

– “Viver e nao ter a vergonha de ser feliz / cantar e cantar e cantar / a beleza de ser um eterno aprendiz”. Luiz Iubel lembrou de Gonzaguinha, em uma canção que começa com a sensacional frase “eu fico com a pureza da resposta das crianças”.

– Vinícius de Moraes voltou à tona com os queridos colegas Alethea Costa e Eduardo Luiz. A Alê mandou “pois há menos peixinhos a nadar no mar / do que os beijinhos que eu darei na sua boca”, de “Chega de Saudade”. E o Dudu atacou de “Eu sei e você sabe / ja que a vida quis assim /que nada nesse mundo / levará você de mim”, de “Eu não Existo sem Você”.

– Cassiano Silva também foi com Vinícius: “De repente do riso fez-se o pranto / Silencioso e branco como a bruma / E das bocas unidas fez-se a espuma”, do “Soneto de Separação”, que depois foi musicado por Tom Jobim.

– “Tire seu sorriso do caminho / que eu quero passar com a minha dor”. A clássica “A Flor e o Espinho”, letra de Guilherme de Brito e música de Alcides Caminha e Nelson Cavaquinho. Lembrança do Tusquinha.

– Gilmar Pallar atacou de “Tristeza”, de Haroldo Lobo e Niltinho: “Tristeza / por favor vá embora / minha alma que chora / está vendo meu fim”.

– A Elaine Felchacka mandou estes: “Como pode ser gostar de alguém / e esse alguém não ser seu”, de “Amado”, composição de Marcelo Jeneci.

– Nada de preconceitos. O Tusquinha também citou “Te venerar é minha sina” e “É de pedra a porta do seu coração”, do MC Andinho.

– “‘A vida é bela e cruel despida / Tão desprevenida e exata / que um dia acaba…”. “Ritual”, Cazuza, também do “arquivo” do Tusquinha.

– Aí o Luiz Augusto Xavier veio com Chico Buarque. Começou com “A felicidade morava tão vizinha / que, de tolo, até pensei que fosse minha”, de “Até Pensei”. Depois, “Como se na desordem do armário embutido / meu paletó enlaça o teu vestido / e o meu sapato inda pisa no teu”, de “Eu Te Amo”, que ainda tem “Se entornaste a nossa sorte pelo chão / se na bagunça do teu coração / meu sangue errou de veia e se perdeu”. E fechou com “Toda gente homenageia Januária na janela / até o mar faz maré cheia / pra chegar mais perto dela Januária”, de “Januária”. Tusquinha, solerte, lembrou de “A Mais Bonita”: “Não, solidão, hoje não / quero me retocar / nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas”.

– O Guido Cavalcanti foi mais longe: “Acreditem, é muito fácil julgar / a infelicidade alheia / quando a casa não é nossa / e é outro que paga a ceia”, de “Caminho Certo”, de Herivelto Martins e David Nasser.

– E o Leomar Garcia mandou quatro pra fechar a lista. Uma da Legião Urbana, “Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais / faríamos florestas do deserto e diamantes de pedaços de vidro”, de “Andrea Doria”. E as outras de Raul Seixas. A primeira, “E quão longa é a noite se comparada ao curto sonho da vida”, de “Nuit”. A segunda, “Cada um de nós é o resultado da união de duas mãos coladas numa mesma oração”, de “Coisas do Coração”. A terceira, “Se é dia sou dono do mundo e me sinto filho do Sol / se é noite eu me rendo às estrelas em busca de um farol”, de “Segredo da Luz.

Muitas ainda ficaram pelo caminho, poderíamos ficar ainda mais tempo aqui. Quem sabe seja apenas o começou desta emocionante remissão. Afinal, não estamos apenas relatando versos bonitos, estamos contando as nossas vidas através da música.

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Incontestável

Ontem, aqui no blog, escrevi sobre as lições que os times brasileiros poderiam aprender com o fracasso de quatro equipes do País na Copa Libertadores. O maior deles, pra mim, era a definição de que não havia jogo ganho de véspera. Que era necessário respeitar o adversário sempre. E a vitória incontestável do Coritiba na quinta-feira sobre o Palmeiras resume isto.

Pode-se dizer agora que o Coxa passou por cima, que é muito melhor, coisa e tal. Algo que o próprio Luiz Felipe Scolari disse. Mas todos sabemos que o Palmeiras tem um time organizado, que no entanto não teve como parar a ótima atuação alviverde. Que começou na atitude dos jogadores e da comissão técnica, que respeitaram o time paulista desde a classificação pras quartas-de-final da Copa do Brasil.

E respeitar significa observar as virtudes e os defeitos do adversário. Antes do jogo, Marcelo Oliveira avisou: “Vamos ter cuidado com as qualidades deles, que não são poucas”. E foi isso que aconteceu. Além de jogar o futebol que já acompanhávamos por aqui, o Cori anulou as peças importantes do Palmeiras – a velocidade dos meias, o talento de Kleber, a cadência de Lincoln. E partiu para cima dos defeitos – a defesa que marca mal por baixo, as fragilidades nas laterais. Em contrapartida, os visitantes não sabiam nada – ou muito pouco – dos donos da casa. O resultado foi o impiedoso 6×0.

Que também mostrou respeito. Em jogos de semelhante superioridade, o Coritiba passou a abusar dos toquinhos e lances mais burilados. Ontem, jogou com seriedade nos 93 minutos de partida, marcando forte, fazendo faltas quando necessário, e com objetividade quando tinha a bola dominada. Aquele pecado visto no Campeonato Paranaense foi corrigido, e com sobras.

Não dá para apontar um único jogador como destaque da partida. Jonas fez seu melhor jogo pelo Coritiba, Emerson estraçalhou, Léo Gago não errou um passe, Davi tomou conta do meio, Bill mostrou virtudes até então desconhecidas. E ainda teve Edson Bastos seguro, Pereira infalível, Lucas, Cleiton, Rafinha, Donizete… Foi uma atuação de gala. Que não pode se encerrar no 6×0. O Coxa sabe que ainda há um jogo de volta pra consolidar a classificação pras semifinais. Respeitar o Palmeiras continua sendo importantíssimo.

***

Interessante como ainda há quem tome o resultado como um fracasso do Palmeiras e não como um êxito do Coritiba. É possível avaliar as duas situações em conjunto, mas não apenas um fiasco paulista. Mas é aquela coisa – o mais fácil pra quem não tem caráter é deslustrar o trabalho do outro, em vez de valorizar o seu.

***

Com o Coritiba quase classificado, a expectativa de dois semifinalistas do Estado na Copa do Brasil fica com o Atlético jogando no Rio. Eu acredito. E queria ver a cara daqueles que adoram desvalorizar o futebol paranaense.

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Lição

Daqui a pouco tem o jogo, e daqui a muito pouco eu saio de casa pra ir ao Couto Pereira, trabalhar em Coritiba x Palmeiras pela 98FM ao lado do Marcelo Ortiz, do Eduardo Luiz e do Mario Neto – a “equipe de peso” do rádio brasileiro. Além de ser uma partida aguardada por muitos, é o primeiro jogo depois de uma série de lições que o futebol nos ensinou na rodada da quarta-feira.

A maior delas, e em qual vou me aprofundar aqui, é a definição de “facilidade” de uma partida de futebol. Na quarta, tínhamos o Internacional com vantagem jogando em casa, o Cruzeiro com vantagem maior ainda e também jogando em casa e o Fluminense encaminhado, mesmo fora do Rio. E o Grêmio sofrendo no Chile. Isto só na Libertadores. Ainda tínhamos o Atlético com a força da torcida contra o Vasco e o São Paulo superfavorito contra o Avaí.

Para muitos de nós, analistas, o Fluminense poderia sofrer, mas se garantiria. Atlético e Vasco fariam um jogo equilibrado, apesar da superioridade atleticana por estar em casa. O Grêmio estava irremediavelmente fora. Mas São Paulo, Cruzeiro e Internacional eram barbadas – “jogos jogados”, como se diz no Rio Grande do Sul.

Todo mundo sabe o que aconteceu. Universidad Católica x Grêmio e Atlético x Vasco corresponderam às expectativas. O São Paulo penou pra fazer 1xo, e saiu vaiado pela torcida e corre risco em Florianópolis. O Inter ficou pelo caminho, o Fluminense pagou mico e o Cruzeiro foi uma tragédia, complementada pelo ato impensado do Cuca – gosto muito do Cuca, mas ele queimou legal o filme.

Por mais que os analistas e os torcedores pensem que as partidas podem ser fáceis, elas não se decidem antes de a bola rolar. Há variáveis em um jogo de futebol que podem ser previamente comentadas, e é possível até palpitar um resultado, mas de forma alguma se pode cravar uma vitória ou uma derrota. Nem eu, aqui da trincheira, nem o técnico, muito menos o jogador. O torcedor até pode, pois dele se espera o apoio irrestrito.

Falo tudo isso porque há uma grande expectativa na imprensa local para uma vitória consagradora do Coritiba sobre o Palmeiras, ao mesmo tempo em que se coloca um favoritismo pleno para o Palmeiras contra o Coritiba na imprensa do eixo Rio-São Paulo. Nem uma coisa, nem outra. A partida é extremamente equilibrada, reúne um time de ataque forte com outro de defesa forte.

E decidirão o jogo a qualidade dos atletas, o trabalho dos treinadores e principalmente o conhecimento que um time tem do outro. Pelo que li, o Coritiba está bem informado sobre o Palmeiras, e a recíproca não é verdadeira. Se o Coxa jogar com a bola no chão, em velocidade e explorando a dificuldade técnica da zaga palestrina, pode sim levar vantagem. Acho o Cori melhor, só que o Palmeiras não é um time fraco. Por isso, não é um jogo jogado. Ainda mais agora, faltando poucas horas pra bola rolar.

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